Camila Besseler, nossa CMO, analisa como dados sintéticos transformam pesquisa de mercado — e por que governança é essencial 

O marketing foi uma das primeiras áreas a sentir o impacto direto da inteligência artificial generativa. Textos, imagens, vídeos e roteiros começaram a ser criados por qualquer pessoa com acesso a um chatbot. Mas o uso da IA no marketing vai muito além do que se vê na superfície. 

Há um universo menos visível — e muito mais transformador — que envolve o uso de dados sintéticos para pesquisa de mercado, desenvolvimento de produto e inteligência competitiva. 

O que são dados sintéticos e por que importam agora?

Gerar dados sintéticos não é apertar um botão. É desenhar, com o apoio de IA, simulações estatísticas que representam comportamentos e atributos de uma população. Esses dados não copiam amostras reais; eles emulam padrões e cenários possíveis, preservando correlações e variáveis relevantes. 

O resultado? Um espelho estatístico do mundo real capaz de acelerar descobertas, reduzir custos e mitigar riscos de privacidade. 

Como destaca nossa CMO, em artigo publicado no Mundo do Marketing: 

"O potencial é real, mas a euforia pode ser perigosa. Há uma corrida nas áreas de marketing por mostrar domínio sobre dados sintéticos, muitas vezes sem compreender suas limitações."

O que está por trás dessa discussão, afinal?

Profissionais responsáveis pela inteligência de mercado vivem uma dupla pressão: fazer mais com menos e proteger cada vez mais os dados pessoais. Pesquisas robustas, que antes justificavam orçamentos generosos, tornaram-se caras e lentas demais. Em contrapartida, os ciclos de decisão encolheram e a exigência por eficiência cresceu. 

É nesse contexto que os dados sintéticos ganham força. Eles oferecem uma alternativa escalável para criar e testar hipóteses com rapidez e baixo custo, sem abrir mão da qualidade analítica. 

Os números do mercado confirmam o movimento: 

  • Gartner (2025): Até 60% dos líderes podem enfrentar falhas críticas de dados sintéticos até 2027 por falta de governança 
  • McKinsey (2025): Até 75% das empresas usarão GenAI para gerar dados sintéticos até 2026, contra menos de 5% em 2023 
  • Nvidia: Aquisição da startup Gretel demonstra que a industrialização dos dados sintéticos está em curso.

 

Na prática, dados sintéticos podem ser usados para: 

Pré-testes de pesquisa — Validar questionários, wording e lógica antes de ir a campo 

Validação de hipóteses — Testar precificação, comunicação e aderência de ofertas com agilidade 

Ampliar representatividade — Cobrir nichos de difícil acesso, como decisores corporativos de alto ticket ou regiões pouco amostradas 

Personas sintéticas — Criar “gêmeos digitais” que simulam comportamentos em testes contínuos de mensagens, roteiros de atendimento ou scripts de vendas 

Com isso, o modelo tradicional de pesquisa de mercado começa a ser desafiado. O que antes levava meses entre coleta, análise e validação pode ser feito em dias.

Benefícios x Riscos concretos 

Os benefícios são claros: velocidade, redução de custo por iteração, cobertura de nichos raros e privacidade nativa. Mas, como alerta Camila, “dados sintéticos não são uma solução mágica.” 

Principais riscos: 

Model collapse — Quando modelos treinam em dados sintéticos de forma recorrente, degradando a qualidade das informações. É o equivalente a fazer cópias de cópias. 

Excesso de confiança — Sem validação estatística e comparação com amostras reais, as conclusões podem parecer consistentes, mas não se sustentam no campo. 

Reidentificação — “Sintético” não significa “anônimo”. Mesmo com anonimização, há risco de reidentificação de padrões sensíveis. 

Por isso, governança é palavra-chave. A LGPD continua sendo o guarda-chuva regulatório, e a ANPD já discute diretrizes específicas para IA e proteção de dados. 

Como Implementar Dados Sintéticos de Forma Responsável?

Adotar dados sintéticos não é apenas uma questão de gerar simulações — é necessário ter uma estratégia bem definida. A CMO ressalta que o primeiro passo é sempre ter clareza de propósito: saber exatamente o que se quer alcançar com a utilização dos dados e como esses resultados serão aplicados.

Em seguida, é essencial planejar a validação. Nenhum dado, seja real ou sintético, pode sustentar decisões sem uma base sólida. Para garantir isso, é importante que os modelos sintéticos sejam confrontados com dados reais sempre que possível, para validar a precisão e a confiabilidade das conclusões.

A transparência também é fundamental. Ao utilizar dados sintéticos em uma pesquisa ou análise, é importante comunicar claramente que parte dos dados é simulada, para que todos os envolvidos no processo estejam cientes das limitações e implicações dessa abordagem.

Decisões mais inteligentes, não apenas dados mais rápidos

O futuro da inteligência de mercado e do marketing está intrinsecamente ligado à inovação em como coletamos, analisamos e utilizamos dados. Dados sintéticos representam uma das grandes fronteiras dessa transformação, oferecendo possibilidades empolgantes, mas também exigindo um cuidado extremo quanto à governança e ao controle de qualidade.

Como bem destacou Camila, a vantagem competitiva no futuro não virá de quem adota a tecnologia primeiro, mas de quem sabe liderá-la de forma responsável e ética. A chave será encontrar o equilíbrio entre a rapidez proporcionada pela IA e a inteligência humana que garante que as decisões tomadas sejam, de fato, as melhores possíveis para o negócio e seus clientes.

Leia o artigo completo em Mundo do Marketing
Facebook
Twitter
LinkedIn
Email
Dados sintéticos na inteligência de mercado: o uso real além do hype